Notícias
Noticias do Pará
17/05/2019


A experiência na região amazônica, especificamente no Pará é muito rica e  profunda... É uma realidade que precisa mesmo de uma presença da Vida Consagrada, no sentido de ser uma presença mais próxima do povo (já que o padre vai nas comunidades em média uma ou duas vezes por ano).Os leigos são muito empenhados e comprometidos com os compromissos da comunidade, antes de nós consagradas, eles já estavam...

 

O povo é acolhedor e generoso ... Sempre vai alguém em nossa casa nos levar algo... Fruta, caça, peixe, farinha... É perceptível o cuidado e o carinho pelas irmãs...(agradeço as irmãs que aqui passaram, hoje nós colhemos os frutos). É emocionante quando vemos que pessoas tão simples e “pobres” querem nos oferecer o que eles tem de melhor, querem que nos “sintamos em casa”... Em mim fica o sentimento... “Sou chamada a oferecer para esse povo o meu melhor... Preciso cuidar deste chão sagrado que estou pisando, que é o coração e a vida destas pessoas...”.

 

Aqui é um gesto muito comum, quando se chega à casa de alguém, tira-se a sandália... entra-se descalço na casa. Em meu coração vem sempre à memória do dia de nosso envio em Feira de Santana-BA, onde fomos convidadas a tirar nossas sandálias “velhas” para calçar “novas”... De fato, é um exercício interior continuo para deixar sempre nas minhas “velhas” sandálias da racionalização na entrada da casa...

 

Eles abrem não somente a porta de suas casas, que já é um gesto de intimidade e confiança, mas abrem também o coração... Aí sou chamada mais uma vez a tirar as sandálias e me dispor ao exercício da escuta... Ter coração grande, ouvido grande... cabeça pequena... Para não racionalizar muito as coisas e querer dar as minhas explicações e... Encontrar respostas que meu coração quer ouvir... Ou até mesmo aceitar algumas situações insalubres, inadmissíveis e desumanas... O grito da pobreza angustia e ao mesmo tempo me desafia a calçar as novas sandálias do respeito, pois, o conceito de riqueza e pobreza, conforto e desconforto, arrumado ou desarrumado... Aqui é algo muito diverso das concepções que carrego dentro de mim... Prevalece neste povo a partilha e o hoje... Acumular, pensar muito no dia de amanhã é secundário... Sinto-me numa grande escola, onde eu sou a aluna que vai tentando aprender a linguagem, os ritos e os ritmos principalmente com o povo... É a escola de Nicodemos(Jo 3,4) é preciso nascer de novo... Mesmo sendo velha. Para viver a missão é necessário morrer e nascer todos os dias.

 

É a grande escola de Pe. Medaille, onde o despojamento e o aniquilamento são os melhores professores ( Máximas 3,6) e a humildade é a melhor companheira e conselheira para acertar o caminho.

A intercongregacionalidade é uma experiência desafiante e também profética... É um convite carismático ao esvaziamento/mortificação... Viver a comunhão fraterna na diversidade a serviço de uma grande missão. Foi o Senhor que nos enviou aqui para juntas

sermos sinais do grande amor de Deus e promover a Maior Glória de Deus.

 

Enfim, estar aqui é uma grande oportunidade de crescer como discípula missionária, e como dizia o grande Dom Luciano Mendes “Onde há povo, há missão. E onde há missão há mil razões para ser feliz”. Agradeço a Deus e ao nosso Instituto por me proporcionar experimentar essa graça de ter mil razões para estar feliz... Ser uma presença Consagrada em meio a esse povo sedento de Deus.

                                                                                                                Ir. Jani/Rita, ISJ








Galeria de fotos