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Carta Aberta
25/12/2017
CARTA ABERTA DA CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBÉRY

“Justiça e Paz se abraçarão” (Sl 85,11).

“Eu vim para que todos/as tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).
Nós, Irmãs de São José de Chambéry, ao celebrarmos 367 anos de fundação de nossa Congregação
reafirmamos nossa presença profética de unidade e reconciliação num mundo fragmentado. Na
fidelidade dinâmica e criativa à inspiração inicial, como mulheres consagradas, somos fortemente
interpeladas pelos clamores dos pobres no atual contexto de nosso país.

A desacreditada situação do Brasil e a calamitosa realidade de milhões de brasileiros/as nos
conclamam a fazer coro com tantas vozes e protestos num momento em que prevalecem rivalidade e
conflito de interesses, onde a força oportunista se impõe em desfavor da maioria da população.
Sofremos com um governo ilegítimo, articulado a partir de um golpe político-jurídico. Um congresso
vendido vota, a “peso de ouro” e a “toque de caixa”, reformas que privam o povo de direitos
alcançados em anos de luta. Privatizações irresponsáveis dilapidam o patrimônio nacional, enquanto
empresas estrangeiras abocanham vantagens competitivas. A priorização da economia privilegia o
mercado financeiro. Sobram contas polpudas em paraísos fiscais, quando não aparecem malas cheias
de dinheiro vivo. Torna-se uma rotina a criminalização de movimentos, reivindicações e lideranças
populares. Não compactuamos com essa realidade, com as situações de injustiça e tanto desrespeito
aos direitos humanos.

Como corpo congregacional, nós, Irmãs de São José de Chambéry, fiéis às nossas origens e ao clamor
dos pobres e trabalhadores, à luz de nossos documentos, “olhamos com espírito crítico as realidades
e as ideologias nelas ocultas, a fim de que nosso pensamento esteja de acordo com o Evangelho e
nossa ação expresse suas exigências”. Renovamos nosso compromisso com o Deus da Vida, a serviço
da Igreja e do mundo, lutando por participação democrática e empenhando-nos em ser, no meio do
povo tão injustiçado, violado em sua dignidade humana e nos seus direitos, a “Congregação do grande
Amor de Deus” como queriam nossas fundadoras e o fundador Pe. Jean Pierre Médaille.

Na Igreja e comprometidas com o povo, queremos construir um presente e um futuro de vida e de
esperança, confiantes no Deus Trindade e na Mãe Aparecida.

Roma, 15 de outubro de 2017

Ca s a Ge ne r a l i z i a
Vi a d e l C a s a l e t t o 2 6 0 – 0 0 1 5 1 Roma
Te l . ( 3 9 ) 0 6 - 5 8 1 8 6 6 7 / Te l . F a x ( 3 9 ) 0 6 - 5 8 3 3 1 0 8 0
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