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50 Anos de Vida Consagrada
21/08/2017

50 ANOS DE CONSAGRAÇÃO : minha gratidão e louvor

Há sete ano vivo a missão em  Santarém  e sinto que   é    uma graça especial celebrar   os 50 anos de Vida Consagrada nesta diocese que celebra o Ano Mariano com cunho vocacional.

O  retorno a Cuneo neste ano, a  minha cidade de origem e o   berço da Congregação,   me permitiu também celebrar com as minhas companheiras de Consagração o nosso jubileu de ouro;  na catedral da cidade onde as nossas primeiras irmãs de s. Jose receberam o habito religioso e emitiram os votos,  renovamos  com alegria  o nosso “sim a Deus e ao querido próximo”.

Dou graças ao Senhor “que me quis, me escolheu e me consagrou no Pequeno Projeto” oferecendo-me  graça de viver a Consagração na missão no Brasil.

De fato, após a minha profissão perpetua, com alegria e entusiasmo   parti logo com outras sete irmãs de S. Jose de Cuneo para abertura de duas comunidades no Brasil, uma na periferia de Curitiba e outra  na Baixada Fluminense.

Nestas comunidades aprendemos a falar, descobrir  os valores deste povo bom e acolhedor e apreciar  as tantas maravilhas da natureza,  a olhar a realidade com olhos críticos, a caminhar e  a rezar com o povo, a viver e compartilhar dores e alegrias, esperanças e dificuldades  e,  à Luz da Palavra de Deus,  encontrar luzes  e pequenas soluções.

São 45 anos que vivo a missão  no Brasil e olhando este longo tempo  sinto sobretudo o convite a louvar e agradecer.  Reconheço que foi um tempo de graças e de benção, um dom precioso para mim e para a Congregação, para o povo de Deus e as igrejas locais por onde passamos.

·       Minha gratidão porque a missão  ad Gentes  “abriu novos horizontes”, colocando-nos em contato com tantas realidades, algumas com sinais visíveis  e concretos da presença do Reino de Deus já no meio de nós. E outras, no entanto,   desfiguradas  e contrarias à proposta do Evangelho : “Que todos tenham vida e vida em plenitude”.  

Carrego em meus coração e revejo com meus olhos tantos rostos feridos e machucados, pessoas sem nome,  sem vez e voz, situações que clamam  e gritam por justiça e vida.

 

·       Minha gratidão  por ter vivido ao longo dos anos numa igreja  aberta e sensível para com os  pobres e pequenos, tanto nas periferias das grandes cidades,  como no campo e agora no coração da Amazônia. Uma igreja que  em fidelidade a Jesus defende a justiça e a fraternidade, uma igreja corajosa e profética,  capaz de dar a sua vida para salvar vidas ameaçadas e colocadas a margens.

 

 

·       E nesta Igreja viva  e atenta às periferias  existenciais,  o imenso dom da Eucaristia e da Palavra de Deus:  Jesus Eucaristia   nosso alimento cotidiano, sustento em nossa caminhada pessoal  e comunitária.

Com o povo aprendi  a ler e a  saborear a  Palavra de Deus, a sentir  o tesouro que a  Sagrada Escritura é na nossa vida e na vida das Cebs. Experimentei a alegria da Palavra de  Deus  partilhada em grupo e celebrada em comunidade, experimentada como algo familiar e próxima, luz que ilumina a realidade e  indica o caminho,   inquieta e incomoda  como fogo que arde e aquece.

 

·       Minha gratidão vai às inúmeras  pessoas que encontrei  na minha caminhada de   50 anos e que foram para mim escola de vida e testemunhas de fé. Aos numerosos leigos que vi  nascer e  desabrochar dentro das Cebs,  crescer no compromisso para o Reino ... e hoje assumirem  os diversos  ministérios que a Igreja e a sociedade precisam. Minha gratidão sobretudo aos pequenos e pobres aos quais Deus revela os mistérios da  sua Graça.

 

·       Desde 2010 vivo a experiência de caminhar numa comunidade Inter congregacional, somos  membros de três congregações de irmãs de S. José da federação italiana.                                                É certamente uma graça, uma benção, um dom especial que o Senhor nos concedeu. Caminhamos juntas no respeito das diferenças e com a força do Carisma que  sempre de novo nos impulsiona “a ir para  onde ninguém vai”, às periferias e as novas frente de missão. Somos inseridas no Baixo Amazonas, numa realidade  contrastante onde percebemos a cada pouco as maravilhas e o vigor da natureza na sua explosão de beleza e grandeza e,  ao mesmo tempo,  nos deparamos com situações  que gritam  e gemem de dor por causa do desmatamento, da agressão ao meio ambiente e aos povos que aqui vivem, do sistema  que exclui e empobrece  cada vez mais os pequenos. Acreditamos que esta experiência possa fazer  nascer algo novo dentro das nossas congregações  e com  esperança  olhamos o futuro, vivendo  com paixão  o hoje. 

 

·       E minha gratidão para com nossas congregações, nossas famílias e Igrejas locais, grupos e amigos, que embora distantes nos sustentaram e acompanharam com a oração, a solidariedade, o carinho e a ajuda concreta, promovendo a ação pastoral  e favorecendo  os  projetos de missão.

 

Com o salmista também meus lábios e meu coração cantam: “Como é que vou retribuir ao meu Senhor tudo de bom  que Ele por mim  realizou?

 

 

Ir Ana Clara Corino

Ir de S. José 

Comunidade Inter congregacional na Amazônia







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